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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Viver ou Juntar dinheiro?

Achei esse texto do Max Gehringer muito interessante...

Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente.

Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30 mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.

Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei. Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.

Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro.

Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?

Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.

"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO"

Que tal um cafezinho?
 
(Max Gehringer)

sábado, 6 de novembro de 2010

Consagrado: reflexo da beleza de Deus.

Nesta sexta-feira, dia 05 de novembro de 2010, vivênciei o último retiro deste ano com a minha comunidade religiosa. O pregador do Retiro foi o Pe. Reinaldo Baggio, meu antigo reitor em Curitiba. O tema pregado foi: "Consagrado: reflexo da beleza de Deus". Foi uma fantástica oportunidade de olhar para as bases da minha vida religiosa e perceber que eu sou uma viva imagem de Deus no mundo e fui chamado por Ele exatamente pra dar testemunho dessa beleza. O pregador se baseio nas palavras do Saudoso Papa João Paulo II que dizia no documento "Vita Consecrata": " Com profunda intuição, os Padres da Igreja qualificaram este caminho espiritual como filocalia, ou seja, amor pela beleza divina, que é irradiação da bondade de Deus. A pessoa que é progressivamente conduzida pelo poder do Espírito Santo até à plena configuração com Cristo, reflecte em si mesma um raio da luz inacessível, e na sua peregrinação terrena caminha até à Fonte inexaurível da luz. Deste modo, a vida consagrada torna-se uma expressão particularmente profunda da Igreja Esposa que, movida pelo Espírito a reproduzir em si mesma os traços do Esposo, aparece na presença d'Ele « gloriosa sem mancha nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e imaculada » (Ef 5,27)."
Nós homens e mulheres do séc. XXI temos uma forte aversão à tudo aquilo que não nos dá "prazer", então olhamos para os conselhos evangélicos e a primeira coisa que pensamos é na renúncia, pena que muitos não dão o segundo passo e não percebem que os "conselhos evangélicos" não são renúncias são respostas de Amor, Àquele que nos amou primeiro. É através dos conselhos que dizemos senhor eu te amo e quero viver como Vós. Quero terminar essa postagem com um trecho do documento Vita Consecrata.

Assim os conselhos evangélicos são, primariamente, um dom da Santíssima Trindade. A vida consagrada é anúncio daquilo que o Pai, pelo Filho no Espírito, realiza com o seu amor, a sua bondade, a sua beleza. De facto, « o estado religioso patenteia (...) a elevação do Reino de Deus sobre tudo o que é terreno e as suas relações transcendentes; e revela aos homens a grandeza do poder de Cristo Rei e a potência infinita com que o Espírito Santo maravilhosamente actua na Igreja » (35).
A primeira tarefa da vida consagrada é tornar visíveis as maravilhas que Deus realiza na frágil humanidade das pessoas chamadas. Mais do que com as palavras, elas testemunham essas maravilhas com a linguagem eloquente de uma existência transfigurada, capaz de suscitar a admiração do mundo. À admiração dos homens respondem com o anúncio dos prodígios da graça que o Senhor realiza naqueles que ama. Na medida em que a pessoa consagrada se deixa conduzir pelo Espírito até aos cumes da perfeição, pode exclamar: « Contemplo a beleza da vossa graça, vejo seu brilho, irradio sua luz; fico cativado pelo seu inefável esplendor; acabo arrebatado longe de mim, sempre que penso ao meu próprio ser; vejo como era e no que me tornei. Ó maravilha! Presto toda a minha atenção, fico cheio de respeito por mim mesmo, de reverência e de temor como se estivesse diante de Vós mesmo; não sei o que fazer, porque a timidez se apoderou de mim; não sei onde sentar-me, donde me aproximar, onde repousar estes membros que Vos pertencem; em que iniciativa, em que obra empregá-las, estas encantadoras maravilhas divinas » (36). Deste modo, a vida consagrada torna-se um dos rastos concretos que a Trindade deixa na história, para que os homens possam sentir o encanto e a saudade da beleza divina.
Nos conselhos, o reflexo da vida trinitária
21. A relação dos conselhos evangélicos com a Trindade santa e santificadora revela o sentido mais profundo deles. Na verdade, são expressão do amor que o Filho nutre pelo Pai na unidade do Espírito Santo. Praticando-os, a pessoa consagrada vive, com particular intensidade, o carácter trinitário e cristológico que caracteriza toda a vida cristã.
A castidade dos celibatários e das virgens, enquanto manifestação da entrega a Deus com um coração indiviso (cf. 1 Cor 7,32-34), constitui um reflexo do amor infinito que une as três Pessoas divinas na profundidade misteriosa da vida trinitária; amor testemunhado pelo Verbo encarnado até ao dom da própria vida; amor « derramado em nossos corações pelo Espírito Santo » (Rm 5,5), que incita a uma resposta de amor total a Deus e aos irmãos.
A pobreza confessa que Deus é a única verdadeira riqueza do homem. Vivida segundo o exemplo de Cristo que, « sendo rico, Se fez pobre » ( 2 Cor 8,9), torna-se expressão do dom total de Si que as três Pessoas divinas reciprocamente se fazem. É dom que transborda para a criação e se manifesta plenamente na Encarnação do Verbo e na sua morte redentora.
A obediência, praticada à imitação de Cristo cujo alimento era fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4,34), manifesta a graça libertadora de uma dependência filial e não servil, rica de sentido de responsabilidade e animada pela confiança recíproca, que é reflexo, na história, da amorosa correspondência das três Pessoas divinas.
Assim, a vida consagrada é chamada a aprofundar continuamente o dom dos conselhos evangélicos com um amor cada vez mais sincero e forte na sua dimensão trinitária: amor a Cristo, que chama à sua intimidade; ao Espírito Santo, que predispõe o espírito para acolher as suas inspirações; ao Pai, origem primeira e fim supremo da vida consagrada (37). Esta torna-se, assim, confissão e sinal da Trindade, cujo mistério é indicado à Igreja como modelo e fonte de toda a forma de vida cristã.
Também a vida fraterna, em virtude da qual as pessoas consagradas se esforçam por viver em Cristo com « um só coração e uma só alma » (Act 4,32), se apresenta como uma eloquente confissão trinitária. Confessa o Pai, que quer fazer de todos os homens uma só família; confessa o Filho encarnado, que congrega os redimidos na unidade, apontando o caminho com o seu exemplo, a sua oração, as suas palavras e, sobretudo, com a sua morte, fonte de reconciliação para os homens divididos e dispersos; confessa o Espírito Santo, como princípio de unidade na Igreja, onde não cessa de suscitar famílias espirituais e comunidades fraternas.

Tenham um ótimo final de semana.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Passeio Socrático

Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'.
'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'. 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhum preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento'. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo.. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald's...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático'.
Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cenáculo: lugar da partilha e de novas descobertas

O cenáculo pode ser visto também como o lugar do testemunho de quem viveu com Jesus. Ali a Igreja nasceu pela força do Espírito que os enviou em missão. Ali adquiriram uma fé mais lúcida e madura, fortemente marcada pelos ensinamentos do Filho de Deus. O clima era de oração e de busca de conhecimento da verdade revelada, pois neles, ainda, pairavam muitas dúvidas. Pedro não tinha nenhuma familiaridade com o cargo e procurava entender o que significava aquela expressão: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,17).
Certamente Maria, na sua humildade, simplicidade e serenidade, conduziu aquele momento de oração para que a comunidade não se dispersasse. O que será que eles discutiam naqueles dias? Como eles rezavam? Certamente foram dias de reviver a trajetória de Jesus aqui nesse mundo. Maria deve ter sido o centro das atenções porque ela tinha muitas coisas para informar aos líderes da Igreja que aguardavam confirmação do Espírito. Certamente os apóstolos a ouviam, com muita atenção, os seus ensinamentos, a maneira como foi surpreendida na anunciação, a desconfiança de José, a fuga para o Egito, a perda e o encontro do menino no Templo, o início da sua vida pública e a dramática experiência aos pés da cruz. Maria deve ter narrado o quanto foi difícil para ela entender tudo aquilo. Porém as imagens continuavam vivas e inesquecíveis em sua mente. Ela conservava tudo em seu coração e esperava confiante na promessa do Filho, porque Deus já havia feito grandes coisas em seu favor (Lc 1, 49; 2,18-19).
Os apóstolos, agora, começaram também relembrar os bons momentos em que viveram juntos com Jesus. Foram três anos de grandes transformações em suas vidas. Os discípulos de Emaús recordaram novamente o episódio marcante da presença do ressuscitado com eles no caminho e o revelar-se ao partir o pão. Pedro, Tomé e os demais apóstolos agora ouvem as mulheres que presenciaram o túmulo vazio. Elas não cessavam de narrar o quanto ficaram tocadas com aquele acontecimento. Tomé também tomou a palavra e falou da sua experiência única com o ressuscitado. Todos esses fatos incendiavam os corações dos participantes e crescia neles a certeza de que não estavam aguardando em vão. Algo de surpreendente estava para acontecer.
        Nos dias em que estiveram reunidos no Cenáculo, puderam reler as escrituras com um novo olhar. Até porque, no caminho de Emaús, o ressuscitado já havia iniciado um diálogo com eles. Enquanto falava, os seus corações ardiam e seus olhos se abriam para uma nova realidade. Esse tema deve ter provocado muito interesse para reinterpretar os fatos passados à luz dos novos acontecimentos. Todo o esforço deles foi coroado no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo, definitivamente, mudou a rota da vida daqueles homens e mulheres. Ao saírem do Cenáculo, não eram mais os mesmos. Seus rostos eram resplandecentes de alegria e de entusiasmo. A vibração deles contagiou a todos. O único desejo era de transformar o mundo com a nova Lei instaurada por Cristo: a lei do amor. Aliás, isso causou até espanto aos moradores da redondeza. Muitos tentaram dar uma razão para aquela alegria contagiante: “Estão todos embriagados” (At 2, 12-13).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Cenáculo: lugar da espera paciente e da realização da promessa

O Cenáculo, além de ter sido um lugar de confraternização, foi também um local em que a Igreja teve o seu início pela ação do Espírito Santo. Até aquele momento, os apóstolos não estavam plenamente convencidos da missão que receberam de Cristo. A morte de Jesus provocou neles certa animosidade e desesperança. O desânimo era generalizado. Pedro e seus companheiros tentaram voltar à normalidade da vida, como acontece com as famílias diante da perda de um ente querido. Apesar da dor a vida tinha de continuar.
O evangelho relata que os apóstolos estavam fortemente propensos a retomar as atividades de outrora. Certo dia Pedro disse: “vou pescar e alguns dos discípulos disseram, nós também vamos contigo”. Naquele dia o lago de Tiberíades não estava para peixe. Eles nada pegaram naquela noite. Eis que ao amanhecer, na margem do lago, apareceu um homem misterioso que mandou jogar a rede do lado direito do barco e qual não foi a surpresa dos pescadores quando pegaram uma grande quantidade de peixes. Imediatamente após o milagre da pesca, João que tinha vivo em sua mente os últimos acontecimentos ao lado do Mestre, intuiu: “É o Senhor”! Ao ouvir isso, Pedro vestiu a túnica e se jogou na água e foi em direção à margem. Ao chegar à beira do lago, Jesus, mais uma vez os surpreendeu com pão e peixe assado e pediu que eles trouxessem o fruto do trabalho deles para colocar à disposição de todos. Ninguém ousava perguntar quem ele era (Jo 21,1-12).
O versículo 14 diz que essa era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois da ressurreição. Mesmo diante das evidências ainda não tinham superado o trauma da separação. Tudo o que viam parecia ser um pesadelo difícil de ser compreendido. Mas Jesus não desistiu, continuou sua missão agora para convencer seus operários a assumirem com generosidade a messe do reino. Parecia que nada nesse mundo fosse capaz de mudar a mente e o coração dos discípulos. O ceticismo era generalizado. Jesus se manifestou inúmeras vezes para que a comunidade se convencesse da nova realidade.
Aos poucos foram percebendo que a observância do sábado já não tinha mais sentido. O domingo passou a ser o dia em que os que acreditavam no Cristo se reuniam para meditar a palavra e participar da Ceia do Senhor que continuava vivo no meio deles.
O primeiro capítulo dos Atos dos Apóstolos afirma que após a paixão, Jesus mostrou-se vivo, com numerosas provas. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias, falando do Reino de Deus. Ao tomar a refeição com eles, deu-lhes essa ordem: não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai da qual me ouviste falar, quando eu disse: João batizou com água; vós, porém, dentro de poucos dias sereis batizados com o Espírito Santo (At 1,3-5).
Na ascensão, Jesus conversou com eles e lhes deu as últimas orientações, mas não respondeu as indagações deles acerca do fim do mundo. Deixou-lhes, apenas, a certeza de que será enviado o Espírito Santo para que os discípulos pudessem dar testemunho dele em Jerusalém e até os confins da terra (At 1, 6-8).
Mesmo diante de tão grande acontecimento, os apóstolos continuavam com a mente obtusa e com os olhos ofuscados, tanto que apareceram dois anjos no céu que pediram para não ficarem somente contemplando o céu, mas que olhassem para a própria realidade com a plena convicção de que aquele que subiu ao céu virá do mesmo modo como viram partir para o céu (At 1, 10-11). Ainda com muitas dúvidas, retornaram para Jerusalém e ficaram na mesma sala que tinham costume de ficar, e ali se colocaram em oração, na companhia de Maria, de algumas mulheres e com alguns parentes de Jesus, para aguardar a promessa do ressuscitado (At 1, 14).
O grupo dos que se reuniram para aguardar o Espírito Santo era em torno de cento e vinte pessoas. No meio deles, Pedro toma a palavra e exorta a todos para que fosse eleito, em lugar de Judas, um daqueles que seguiu Jesus desde o batismo de João até o momento de sua despedida, para que junto com eles pudesse dar testemunho da ressurreição. Após rezarem tiraram a sorte para ver quem Deus iria escolher. A sorte caiu em Matias (At 1, 15-26).
Finalmente chegou o dia de Pentecostes e o Espírito Santo se manifestou sobre eles, enquanto estavam reunidos em oração. Lucas referindo-se à primeira criação em que Deus sopra e dá o hálito da vida, lembra que na segunda criação, ou seja, a obra da redenção, Deus soprou sobre eles o vento do Espírito para criar os novos homens. Como o Espírito fora destinado somente aos discípulos, então foi sentido apenas na casa em que estavam reunidos (At 2,1-11).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O que é o Cenáculo?

Para que possamos viver o espírito do Cenáculo, proposto por nosso santo fundador Vicente Pallotti, é preciso entender o que isso significou, no passado, para os apóstolos e para a Igreja primitiva, e como podemos experimentá-lo no presente.

Primeiramente a palavra Cenáculo significa: sala da ceia, ou da refeição.

“Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos? Ele respondeu: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando uma bilha de água; segui-o até a casa em que ele entrar, e direis ao dono da casa: O Mestre pergunta-te: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará no andar superior uma grande sala mobiliada, e ali fazei os preparativos. Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa” (Lc 22, 8-13).

A ceia preparada pelos enviados de Cristo foi tão marcante que nunca mais saiu da memória dos participantes, mesmo que muitas coisas, de imediato, não tivessem sido compreendidas. O jantar poderia ter sido igual a tantos outros que aconteciam por ocasião da Páscoa, mas aquele foi muito especial. Jesus tinha percebido que a sua hora tinha chegado e por isso, com muita tranqüilidade, pediu que aquela Páscoa fosse bem preparada, para que ficasse gravada na mente de todos ao longo dos séculos.

Jesus escolheu um lugar espaçoso e acolhedor, longe dos olhares curiosos, para que pudesse se alegrar com seus amigos antes de partir definitivamente deste mundo. Junto aos seus discípulos deu suas últimas instruções. Ele não só jantou com eles, mas fez algo que até então ninguém havia feito antes. Ele tomou o pão e abençoou e disse palavras misteriosas que, à primeira vista, não foram compreensivas: “isto é o meu corpo dado por vós”. Tomou o cálice com vinho, repetiu a benção e disse: “isso é meu sangue derramado por vós. Fazei isto em minha memória” (Mt 26,26-28). Na verdade, o que ficou naquele momento na mente dos discípulos foi apenas uma indagação. O que é realmente isso? O gesto de Jesus só foi compreendido integralmente após sua ressurreição.

Tudo foi muito rápido e sem explicação. Aliás, eles estavam pasmos diante das palavras misteriosas do Mestre. Diante de tamanha novidade, não conseguiram nem mesmo elaborar uma pergunta sequer, porque Jesus sempre os surpreendia com alguma novidade. Eles estavam tão atônitos que nem conseguiam perguntar quem seria o traidor. Acotovelavam-se para que alguém perguntasse quem deles o iria trair. Sobrou para João fazer a pergunta, pois era notória a sua proximidade com o Mestre, e perguntou quem poderia ser (Jo 13,20-26). A resposta deixou-os ainda mais confusos, porque Jesus disse: aquele a quem eu der o pão embebido. Em seguida, molhou o pão e deu-o a Judas. Naquele momento já não havia mais espaço para a lucidez, pois não haviam compreendido nada.

Após a Ceia, Jesus foi ao monte das Oliveiras para rezar e levou consigo alguns dos discípulos (Mt 26,37). Mas naquela noite era difícil ficar concentrado para rezar. Uma voz parecia tomar conta da emoção daqueles que seriam os continuadores da obra iniciada pelo salvador. As palavras da Ceia latejavam em suas mentes e acabaram dormindo. Por várias vezes Jesus voltou de onde estava em oração e os convidou para rezar com ele. Jesus procurou estimulá-los para que pudessem sair daquele torpor, daquela letargia e animosidade. Mas foi em vão. A cabeça estava muito pesada (v. 41-46). A apreensão invadiu de tal maneira o coração deles que não reagiam. Isso prova que a angústia era tamanha que não conseguiam mais pensar em nada. Houve um bloqueio emocional e se desligaram das coisas mais elementares da vida. Só tinham dentro de si pensamentos neurotizantes. O pavor tomou conta das suas mentes. Isso foi até quando apareceu Judas ladeado por soldados fortemente armados para capturar o inimigo da nação. Judas se aproximou daquele com quem há poucas horas tinha feito refeição e desferiu um beijo em seu rosto (v. 47-48.55). Daquele momento em diante o pavor tomou conta dos amigos de Jesus. Cada um foi para um lado (Mc 14, 50). As indagações provenientes da Ceia agora começam a tomar novos contornos. Eles perceberam que tudo estava se aproximando do fim e restou apenas a desolação e os questionamentos. Como será daqui para frente?

Daquele momento em diante, os amigos de Jesus se dispersaram, um deles saiu nu correndo pela escuridão em meio aos olivais salvando-se daquele fatídico acontecimento (v. 51-52). Jesus foi preso e passou por muitas humilhações. Foi levado até às autoridades, foi zombado, interrogado noite adentro, maltratado. Há algumas horas estava rodeado de amigos, agora enfrenta a solidão, a dor e o desprezo. Pedro tentou acompanhar de longe o desfecho, mas como também estava muito atordoado com a situação, não agüentou, diante da pergunta de uma serva, não titubeou, negou ser amigo de Jesus (v. 54.66-70). A sua mente estava bloqueada, os seus sentimentos arrasados, a sua esperança amordaçada. Sobrou apenas tristeza e desolação. A derrota tomava conta do seu interior. Após negar Jesus o galo cantou e um zumbido em seu ouvido, tão rápido como um raio, despertou sua consciência ferida e se recordou das palavras do Mestre: “Tu me negarás três vezes, antes que o galo cante”. Pedro chorou amargamente por se sentir incapaz de ser fiel e por não ter tido a força suficiente para retomar o caminho (v. 72). Jesus saiu da sala do interrogatório e olhou firmemente nos olhos de Pedro. Ele estava abatido, emocionalmente encarcerado, algemado, simplesmente incapaz de ser ele mesmo. Estava irreconhecível. Só lhe restou o pranto.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Os caminhos para restaurar a imagem de Deus em cada pessoa (Reflexão 6)

Deus infinito Amor e infinita misericórdia

Deus nos criou à sua imagem por seu infinito amor, e nós caímos na miséria por causa do nosso pecado. Deus, porém, com sua infinita misericórdia, quer reconstruir sua imagem em nós por meio de seu Filho.

A consideração das criaturas leva Pallotti a recordar sobretudo aqueles aspectos que dizem respeito à necessidade de restaurar no homem a imagem de Deus. Por exemplo: a noite, criada para o repouso, muitas vezes serve ao homem para pecar na obscuridade; os sons do canto, em vez de ajudarem a fazer e apreciar a harmonia da criação e louvar a Deus servem tantas vezes para estimular o mal, as paixões desordenadas do homem; os alimentos e as bebidas, criadas para remediar as necessidades temporais do homem, muitas vezes instigam a intemperança e as ações brutais etc.

Jesus Cristo, perfeita imagem do Pai

Jesus Cristo Redentor é apresentado como o dom da infinita Misericórdia e do infinito Amor de Deus para com o homem pecador. Pallotti concebe que Deus, depois do pecado de Adão, que nos fez destinados ao inferno, movido pela sua infinita Misericórdia, como enamorado do homem tanto ingrato como miserável, lhe promete o Redentor, seu próprio Filho divino: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo que lhe deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Deus feito homem não somente nos redime, mas, pela sua santíssima humanidade, nos ensina como viver para renovar e aperfeiçoar nossa alma enquanto viva imagem de Deus. A atenção de Pallotti foi dirigida sobretudo à imitação de Cristo pobre, trabalhador, humilde, obediente na abnegação, sujeito ao sofrimento.

Pallotti nos propõe a meditação como método para alcançar as virtudes de Cristo. Concretamente, o seu método propõe o conteúdo da fé, explicando à luz da doutrina da Igreja os artigos do Creio. Com isto deseja suscitar na alma sentimentos de contrição, considerando a indignidade da própria conduta e a situação da miséria da própria alma por não ter respondido aos desígnios do amor de Deus.

O conhecimento do desígnio de Deus, realizado em plenitude na mais perfeita imagem do Pai, Jesus Cristo, torna a alma consciente do caminho que deve percorrer. A oração que segue exercita a esperança e a confiança em obter aquilo que a alma deseja no colóquio com: Deus, meu Pai ou com: Meu Deus, Jesus meu, redentor da minha alma. Pallotti deseja restaurar a imagem de Deus, Amor infinito, em sua própria alma, nos aspectos em que descobre ter particular necessidade. [HP II, p. 506-509]

Para concluir, pode-se afirmar que o opúsculo de Pallotti: Deus, o amor infinito contém a proposta de um método de meditação cristã, solidamente fundado, para restaurar no homem a imagem de Deus deformada pelo pecado.

A adaptação da linguagem se faz necessária para que as pessoas do nosso tempo possam crescer sempre mais na experiência de Deus, e no desejo de buscar a Cristo Apóstolo do Pai, nas atividades mais singelas de cada dia. Para isso, é urgente que cada pessoa tome contato com a Palavra de Deus e se deixe guiar por ela, entregando todo seu presente, passado e futuro nas mãos daquele que pode trazer a paz (Lc 19,42; Mt 10,34).

Hoje encontramos pessoas desintegradas interiormente, em contínua falta de coerência aos critérios escolhidos, sem confiança em si mesmas e sem capacidade de confiar nos outros. Falta o ponto de unificação da própria personalidade. Eis a importância de ter critérios de fé, assimilados solidamente na meditação pessoal, encarnados e colocados como base da própria vida afetiva. Somente Cristo pode dar unidade de vida, restaurando no homem a imagem de Deus que ele mesmo nos deixou com sua palavra e sua vida e que Ele agora realiza por meio da Igreja. [HP II, p. 512].

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Quem sou eu diante de vós? (Reflexão 5)


Primeiramente devemos levar em conta que Pallotti não separa o homem de Deus.
Olhando para a natureza humana, percebe sua miséria inexprimível e sua grandeza única.
Para conhecer Deus o homem precisa conhecer-se a si mesmo. Antes de tudo, ele precisa saber que foi criado à imagem e semelhança de Deus:
Para conhecer e compreender quem sou eu diante de vós, eu deveria conhecer e compreender a vossa mesma perfeição infinita em todos vós e em todos os vossos infinitos atributos, e também deveria conhecer e compreender a malícia infinita do pecado que ofende a vós que sois infinitamente perfeito: eu fui conhecido no pecado, nasci no pecado e após o santo batismo quantas vezes eu ainda pequei (OOCC X, 469). [HP II, p. 256]
A antropologia apresentada por Pallotti parece ser muito pessimista. Uma coisa é certa, ele não se fazia ilusão a respeito da natureza humana: “Eu sou filho da cólera”, mas, em seguida, acrescenta: “O nascimento pobre e humilde de Jesus Cristo fez de mim o filho de Deus, o amigo de Deus, o herdeiro de Deus, o coerdeiro de Cristo e me cumulou de bens de todas as sortes”.
No Deus, amor infinito, Pallotti escreve: “Vós me concedeis apreciar sempre e estimar a minha alma, como também as de meus próximos”.
Notemos o equilíbrio e o realismo humano e espiritual das perspectivas antropológicas traçadas por Pallotti. O homem é, ao mesmo tempo, uma grandeza única, criada à imagem e semelhança de Deus, o filho de Deus e o herdeiro de Deus, e, ao mesmo tempo, ele é uma miséria inexprimível. Se Pallotti sublinha impiedosamente a corrupção do ser humano, porém, ele o faz para ressaltar melhor o amor infinito e a misericórdia de Deus. Dito de outra maneira, segundo o que ele nos ensina, o ser humano jamais é separável de Deus, assim como sua grandeza e sua miséria são dois aspectos, também eles, inseparáveis. [HP II, p. 257]
Para Pallotti Deus é tudo do ser humano. O ser humano é tudo de Deus. Por ele mesmo, o ser humano não é nada. Em Deus, por Ele e com Ele, é tudo. Esse nada miserável que sou eu, vós o amais, meu Deus. E, apesar de minhas resistências, vós lhe comunicais toda sorte de favores, de dons, de graças, de inspirações. E vós fazeis tudo isso para transforma-me em vós mesmo. É, pois, da consciência do seu nada que Pallotti se abre a caminhos de plenitude. Ele quer fazer cooperar o nada do homem com o tudo de Deus, pois, segundo ele, o homem é um cooperador de Deus. E é por isso que Pallotti nunca separa a questão do homem da questão de Deus. [HP II, p. 259]
Padre Faller afirma que, para entrarmos na espiritualidade de Pallotti, dispomos de duas chaves que só podem ser utilizadas juntas. A primeira é aquela do desejo de ser transformado em Deus de Amor e de Misericórdia infinitos. Mas ela não funciona sem a segunda, aquela da humildade, que leva em conta a matéria a transformar. Dito de outro modo, para compreender Pallotti nós não temos o direito de separar a questão a respeito de Deus: Quem sois Vós daquela a respeito do homem: Quem sou eu. Elas não existem separadamente. Elas são complementares e se enriquecem mutuamente. [HP II, p. 258]
Segundo Pallotti, o orgulho é que impede o ser humano de conhecer-se e de saber quem é ele diante de Deus. Ao contrario, o que o ilumina nele, que procura a estima de si e o conhecimento de si, é a misericórdia de Deus, razão por que, de um lado, Pallotti quer tornar-se um instrumento da divina misericórdia; do outro lado, ele busca a humildade. [HP II, p. 257]

terça-feira, 18 de maio de 2010

Nota oficial da Provincía sobre o Padre Silvio Andrei

NOTA DE ESCLARECIMENTO


A Província São Paulo Apóstolo da Sociedade do Apostolado Católico – palotinos – esclarece que está acompanhando os fatos que originaram a prisão do Padre Silvio Andrei Rodrigues, em Ibiporã (PR).

O Padre Silvio foi libertado na tarde de 17 de maio de 2010, por decisão do Excelentíssimo Juiz de Direito da Vara Criminal de Ibiporã (PR), Dr. Sérgio Aziz Neme, em pedido formulado pelos advogados de defesa do Escritório de Advocacia Walter Bittar.

Os Palotinos esperam que os fatos sejam devidamente apurados dentro dos ditames legais da legislação brasileira e as responsabilidades legais devidamente delimitadas, pelo Ministério Público e Poder Judiciário do Estado do Paraná, que são os órgãos competentes para deliberar sobre os fatos.

As providências internas serão tomadas, como de costume, paralelamente ao cabal esclarecimento dos fatos, em especial com o encerramento da investigação pelas autoridades competentes, com as cautelas de estilo, a fim de evitar julgamentos e ilações precipitadas.

Pe. Julio Endi Akamine
Reitor Provincial

sábado, 15 de maio de 2010

Encontro Vocacional Palotino

Olá leitores, gostaria de comunicar a todos que iniciamos hoje às 20 h o primeiro encontro vocacional palotino no Teologado em Londrina. Pedimos orações para todos os jovens que estão participando deste encontro. Amanhã postaremos as novidades e as fotos do encontro.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Meu Deus, quem sois vós? (Reflexão 4)


A visão que Pallotti tem de Deus é decididamente trinitária. O lugar central nela é reservado ao mistério de Deus o Pai: Pai Eterno, Pai da Misericórdia, pai Celeste, Pai das Luzes, Pai Santo, Pai Criador, etc. Certamente, também o papel de Jesus Cristo é central, mas o seu exemplo e sua palavra como Apóstolo do Pai Eterno levam sempre ao Pai. Vale o mesmo para o Espírito Santo. Pallotti atribui-lhe, no seio da Trindade, o papel da eterna comunicação, do amor infinito do Pai e do Filho.
Esse equilíbrio trinitário é admiravelmente apresentado em Deus, o amor infinito.
O mistério de Deus na sua dimensão trinitária servirá a Pallotti como ponto de partida para a sua vida espiritual e, particularmente, para a sua vida de oração. [Horizontes II, p. 252]
Pallotti nos ensina a nos prepararmos para as meditações de cada dia, dizendo: “O Pai que me criou está aqui. O Filho que me resgatou está aqui. O Espírito Santo que me santificou está aqui. Eu estou em companhia das Três Pessoas da Santíssima Trindade! Oh, que companhia![HP, p. 253]
Os resumos de Pallotti sobre Deus são às vezes muito audaciosos. Deslumbrado pelo infinito de seu amor e de sua misericórdia, ele chega ao ponto de dizer: “Perdoai-me, meu Deus, se ouso dizer que para comigo vós sois o enlouquecido de amor e de misericórdia”.
No seu livro de meditação: “Deus, o amor infinito”, expressa sua profunda experiência do amor e da misericórdia de Deus. Ele quer que todos, como ele, sintam essa experiência. Segundo Pe. Kupka, os escritos do nosso Fundador revelam um processo de transformação interior no qual Deus amor infinito se torna gradualmente Deus misericórdia infinita. De fato, para Pallotti a misericórdia é o excesso do amor infinito para com o homem. É a invenção do amor de Deus. Se Pallotti chama misericórdia de excesso de amor infinito de Deus, é porque ele o experimentou. Interessante notar que é nesse contexto que Pallotti se qualifica o prodígio novo da misericórdia, o milagre dos milagres. De fato, a misericórdia de Deus enche completamente o abismo de sua nulidade e transforma sua incapacidade em plenitude de vida. [Horizontes II, p. 254-255]
A experiência da misericórdia terá, na vida do Padre Vicente, duas consequências fundamentais: O renascimento interior e a abertura apostólica:
1- Renascimento interior: já que a nova vida de Pallotti será inteiramente um fruto da misericórdia, e não um resultado de seus próprios esforços;
2- E abertura apostólica: o miserável se fará o apóstolo da misericórdia. Pallotti deixar-se-á atuar, para ele também atuar. É a passagem mística do nada ao todo. É igualmente a passagem do amor à misericórdia, isto é, ao amor que age e faz do místico um apóstolo! [Horizontes II, p. 255]

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Missão Jovem Palotina 2010 - VENHA PARTICIPAR !!!

Cristo é o nosso fundamento (Reflexão 3)

Para São Vicente Pallotti, a escola de oração precisa ser a de Jesus. Ele estava convencido de que todos os dias devemos frequentar a escola de Jesus e pedir-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11,1).
Do modelo divino, o que devia aprender-se principalmente era o hábito de rezar e a escolha do local e do tempo oportuno: “Levantou-se, quando ainda era escuro, e, saindo de casa, retirou-se para um lugar deserto e, lá, rezava” (Mc 1,35).
Este exemplo era, para Pe. Vicente Pallotti, de tal modo obrigatório, que ele, rigorosamente, sabia reservar-se horário determinado para oração e meditação. Reparava em outros exemplos de Jesus, que reza e convida a rezar, especialmente a oração no deserto, no cenáculo, no horto de Getsêmani e na cruz. (Faller. As Orações, p. 50-51).
Segundo Pallotti, o nosso único fim é a glória de Deus e a salvação da alma; para salvá-la é necessária a graça e, para alcançar esta graça é necessária a contínua oração e a frequencia dos santos sacramentos.
Pallotti está convencido de que o tempo consagrado a Deus, na oração, aproveita a todos. Mais: está convencido da verdade que vem expressa na sentença: Pedi o que é grande e vos será dado também o que é pequeno. Acima de tudo, o santo está solícito por que a pia intenção e oferecimento, repetidos mais vezes durante o dia, se tornem atitude constantemente, alimentada pelo espírito de fé. Isto elimina os obstáculos e faz a gente crescer no espírito de oração, de forma que a criatura se vá tornando divinizada. (Faller, p. 59, n. 27).
Em princípio, a sua oração é dirigida ao Pai, no Espírito Santo, pelo Verbo encarnado. “Identifica-me todo a ti, para que eu não seja mais eu, para que nada de mim haja em mim, para que só tu estejas em mim”. Isto significa que, de um lado, Deus espiritualiza toda a vida passada, presente e futura e, de outro lado, cresce a sede de a gente ser sempre mais semelhante a Deus. (Faller, p. 61)

sábado, 1 de maio de 2010

Encontro Pessoal com Jesus Cristo - 2


Jesus por sua vez diz: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza” (Mt 6,24).
“Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti. Vós sois minhas testemunhas, diz o Senhor, e meus servos que eu escolhi, a fim de que se reconheça e que me acreditem e que se compreenda que sou eu. Nenhum deus foi formado antes de mim, e não haverá outros depois de mim. Fui eu, sou eu o Senhor, não há outro salvador a não ser eu” (Is 43,4.10-11).
Não quero que você pertença a ídolos mortos, que além de não salvar você, ainda pode levá-lo a um caminho de morte.
Fico pensando nos ídolos modernos, Michael Jackson, por exemplo, que decepção, que decadência, que infelicidade. Teve uma morte mais inglória, como tantos ídolos, mas está cheio de gente querendo imitá-lo. De fato é um ídolo, porque os ídolos não têm poder de conduzir à vida plena, diz o Salmo:
“Ó Senhor, vosso nome é eterno! Senhor, vossa lembrança passa de geração em geração, pois o Senhor é o guarda de seu povo, e tem piedade de seus servos. Os ídolos dos pagãos não passam de prata e ouro, são obras de mãos humanas. Têm boca e não podem falar; têm olhos e não podem ver; têm ouvidos e não podem ouvir. Não há respiração em sua boca. Assemelhem-se a eles todos os que os fizeram, e todos os que neles confiam. Casa de Israel, bendizei o Senhor; casa de Aarão, bendizei o Senhor; casa de Levi, bendizei o Senhor. Vós todos que o servis, bendizei o Senhor (Sl 134,13-20).
Com a encarnação do Verbo, rompeu-se a separação que havia entre o céu e a terra, entre Deus e os seres humanos. Ele assumiu nossa humanidade para ser o Deus conosco. A sua presença nos surpreende, porque ele nos trata como amigos. Ele foi amigo dos pobres e dos pecadores. Ele confessa publicamente que não nos aceita subjugados, como escravos: “Eu não vos chamo servos, mas amigos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor” (Jo 15,15).
Vejam! como é diferente esse nosso encontro com Ele. Não é um encontro qualquer, porque Ele não é um ídolo, é uma Pessoa, é uma Presença: “Ele está no meio de nós”. É o Deus que se fez carne e mora no meio de nós. Ele escuta os nossos clamores.
“Parai, disse ele, e reconhecei que sou Deus; que domino sobre as nações e sobre toda a terra. Está conosco o Senhor dos exércitos, nosso protetor é o Deus de Jacó” (Sl 45, 11-12).
“Reconhecei agora: eu só, somente eu sou Deus, e não há outro além de mim. Eu extermino e chamo à vida, eu firo e curo, e não há quem o arranque da minha mão” (Dt 32,39).
“Como poderia eu abandonar-te, ó Efraim, ou trair-te, ó Israel? Como poderia eu tratar-te como Adama, ou tornar-te como Seboim? Meu coração se revolve dentro de mim, eu me comovo de dó e compaixão. Não darei curso ao ardor de minha cólera, já não destruirei Efraim, porque sou Deus e não um homem, sou o Santo no meio de ti, e não gosto de destruir” (Os 11,8-9).

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Encontro Pessoal com Jesus Cristo – 1

Quando falamos de encontrar alguém importante, o nosso coração acelera e fica cheio de expectativas e de interrogações: como será ele? O que ele vai dizer para mim? Como devo me comportar diante dele? O que quero dizer para ele? Será que vou suportar tanta emoção?

São muitas as coisas que passam pela nossa cabeça, e quando realmente chega a hora só conseguimos dizer, eu sou seu fã, você é meu ídolo, eu amo você. E essa marca fica para o resto da vida. Eu estive com ele, e agora ele passa a fazer parte da minha vida. Sua fotografia ocupará o espaço mais nobre da parede da sala ou do quarto; quer mostrar para todos. Eu consegui chegar perto dele.

Fico imaginando, como deveria ser o nosso encontro com Jesus. Como deveria ser a nossa preparação para nos dirigirmos até Ele, pois estamos diante daquele que doou sua vida para nos salvar. Ele é o próprio Deus em pessoa. Foi Ele quem deu o primeiro passo em direção a mim, para me dizer, eu quero você do meu lado, eu quero apagar o seu pecado, você é meu, você me pertence:

“Tu és meu servo, eu te escolhi, e não te rejeitei; nada temas, porque estou contigo, não lances olhares desesperados, pois eu sou teu Deus; eu te fortaleço e venho em teu socorro, eu te amparo com minha destra vitoriosa. Pois eu, o Senhor, teu Deus, eu te seguro pela mão e te digo: Nada temas, eu venho em teu auxílio” (Is 41,9.10.13).

Deus diz ainda: “Eu, o Senhor, chamei-te realmente, eu te segurei pela mão, eu te formei e designei para ser a aliança com os povos, a luz das nações; para abrir os olhos aos cegos, para tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão aqueles que vivem nas trevas. Eu sou o Senhor, esse é meu nome, a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra (Is 42,6-8).

quarta-feira, 21 de abril de 2010

No dia da festa do nascimento de PALLOTTI

“Quanto mais uma alma deseja a própria santificação, tanto mais a recebe da torrente da divindade, e... se não te tornares santo, isto estará acontecendo somente porque não desejas sinceramente a tua santificação.”

terça-feira, 13 de abril de 2010

Viver só para Deus

"Se o ser humano soubesse o quanto ele pode merecer em cada dia, logo que se levantasse pela manhã encheria o coração de grande alegria e contentamento por mais um dia no qual poderia viver para Deus, nosso Senhor, e aumentar o próprio mérito com a graça e para a honra e glória do mesmo Deus; isso lhe daria força e vigor para fazer e suportar tudo, com grande alegria".

(S.V. Pallotti. Propósitos e aspirações, p. 179).

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Aparições do Ressuscitado




Queridos irmãos e irmãs, que acompanham com tanto carinho este blog. Gostaria de convidá-los a fazer uma experiência de leitura orante da Sagrada Escritura, especificamente dos textos evangélicos das aparições de Jesus Ressuscitado. São belíssimas as narrações dos evangelistas desses momentos em que a "esperança" dos discípulos já não existia mais, a angústia tomava conta de seus corações, tanto por falsas espectativas como por incompreensão do projeto salvífico de Deus. A aparição à Maria Madalena, quando o Senhor se revela chamando-a pelo nome e a torna a mensageira da ressurreição. Antes, pecadora e adultera. Agora, a primeira a receber o anúncio da ressurreição. Mais uma vez, o Senhor usa dos fracos para confundir os fortes. Na aparição narrada pelo evangelho de hoje (sexta - 09/04), vemos a desesperança de Pedro que sem saber o que fazer, sem o Cristo por perto, volta para sua vida "antiga" e diz: "Vou pescar". Penso que, ao jogar as redes e nada conseguir pescar, Pedro não mais se reconhece enquanto pescador. Ele percebe que sua vida mudou. Ele é o Pedro de Cristo. Nada mais faz sentido em sua vida, longe do Senhor. A dor da perda o cega, e ele não consegue reconhecer Jesus à beira do lago. Quando joga novamente as redes, à pedido daquele homem e enche-as de peixes, João reconhece: "É o Senhor". Qual foi a reação de Pedro? Ele não diz nada. Apenas 'atira-se ao mar" ao encontro daquele que dá sentido à sua nova existência, pois sem Cristo, ele já não é mais Pedro.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Voz do Coração

"Senhor, meus olhos te buscam. Preciso da tua doce face, para aliviar meu cansaço, que provém de minhas infindas batalhas interiores. Não me abandones, amado, porque só em ti meu coração encontra repouso e alívio. Eu desejo teus átrios, com o calor do teu amor latejante de misericórdia. Não quero grandes coisas. Quero que me dês forças para ser só Teu amigo, e ter um coração indiviso e constante. Preciso do calor do teu abraço. Sinto-me só. Mas, mesmo não sentindo nada, eu não desistirei jamais de ti. Quero fazer o caminho que Tu sonhaste para mim, pois neste caminho se encontra meu prazer. Não a mim, Senhor, mas ao que sonhaste para mim. Faze meus ouvidos aguçados para reconhecer tua voz, assim como Madalena te reconheceu quando pronunciaste seu nome. Faze-me sensível para te reconhecer ao partir o pão. Caminha comigo e faze meu coração arder. Dá vida nova, caminhos restaurados pela tua ressurreição. Preciso da tua luz, Senhor!"

Pasquela - Confraternização de páscoa do Teologado



FOI UM DIA MUITO ESPECIAL DE CONVIVÊNCIA E LAZER ENTRE A COMUNIDADE DO TEOLOGADO DE LONDRINA E O NOVICIADO DE CORNÉLIO PROCÓPIO.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A VIDA VENCEU...

"Eu sou o Caminho, a verdade e a VIDA"
Cristo assume sua missão redentora e recria o gênero humano no Amor que se derrama da cruz e da ressurreição. Ele nos abre as portas para a vida plena, e nos mostra que caminho para a eternidade é a cruz que se expressa através da verdade do Amor. Deus nos ama, Ele é amor, assume nossa humanidade porque ocupamos o centro do seu coração. A lança do soldado escancara o coração de Deus para assumirmos nossa morada verdadeiro, que são os átrios do Senhor.
Por isso, somos convidados nesse tempo pascal a rasgar nossos corações para que o Amor entre. A palavra de ordem deve ser "Renascer", deixar o velho homem, com o coração de pedra, e assumirmos um novo homem, de coração de carne, onde pulsa o amor do ressuscitado.
Que a alegria da páscoa seja acompanhada de testemunhos vivos de amor ao próximo através da imitação do VERBO.

sábado, 27 de março de 2010

Pensamento da Semana

"De fato, mediante as obras, a palavra de luxo que é o amor perde espaço nos lábios e ganha campo aberto nos sentimentos mais intensos do coração, como força maior, de arma bélica se preciso for, no certame da vida que nos é proposto."
Extraído da "Carta a um jovem teólogo"
video"A beleza salvará o mundo" portanto, viva uma vida BELA, que busque as coisas do alto, que podem nos fazer felizes e assim fazer felizes também aqueles que amamos.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A presença palotina na Bahia

Ide e evangelizai a todos os povos. Essa foi a ordem de Jesus. Os palotinos, iluminados pela Palavra de Deus, estão evangelizando em todas as partes do mundo. Evangelizar é preciso e você deve fazer parte dessa família. Venha evangelizar conosco! Seja um apóstolo de Jesus Cristo, como consagrado ou como leigo, vivendo o carisma da União do Apostolado Católico, fundado por São Vicente Pallotti (1795-1850).

Reflexão do Dia

"Tal é precisamente o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus. Ele não precisa, como os sumos sacerdotes oferecer sacrifícios a cada dia, primeiro por seus próprios pecados e depois pelos do povo. Ele já o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo. A Lei, com efeito, constituiu sumos sacerdotes sujeitos À fraqueza, enquanto a palavra do juramento, que veio depois da Lei, constituiu alguém Filho, perfeito para sempre"
Hb 7, 26-28.
Nossa religião é de comunhão, o sacrifício perfeito e agradável a Deus é estabelecermos um vínculo de Amor, como aquele do Pai para com o Filho, oferencendo ao Pai, pelo Filho Jesus, no Espírito Santo, o sacrifício das nossas vidas, da nossa liberdade. Cristo é o SACERDOTE perfeito no qual devemos depositar nossa confiança e esperança, pois o sacrifício que ele oferece é perpétuo e de Salvação. Quando vivemos pela carne, ou seja, segundo às nossas vontades débeis estamos sujeitos à fraqueza, mas quando vivemos no Espírito, participamos do sacerdócio de Cristo, que é a realização do Reino de Deus em nós. Que o nosso sacrifício nessa quaresma seja a oferta do nosso próprio coração.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Festa da Anunciação -- AVE, CHEIA DE GRAÇA! O SENHOR ESTÁ CONTIGO!



AVE, CHEIA DE GRAÇA! O SENHOR ESTÁ CONTIGO!

A Anunciação do anjo à Maria marca o início da Redenção humana. Com seu “sim”, Maria divide a história da humanidade em antes e depois, em velho e novo. Ao aceitar o projeto de Deus, Maria se insere definitivamente na aliança de Deus com seu povo: através dela o Filho de Deus se fará homem e se fará presente e atuante em seu tempo e por toda a eternidade.
Com sua atitude, Maria torna-se co-redentora, participando do resgate da humanidade em direção ao coração de Deus. Através de Maria Deus se fará homem e na vida terrena experimentará o limite da condição humana para revelar-Se Pai amoroso, Filho amado, Espírito amante.
Com a festa da Anunciação a Nossa Senhora, a Igreja quer celebrar esse momento único em que Cristo começa a ser gerado no ventre de Maria. A jovem, que questiona o anjo por não entender como tal coisa poderia acontecer já que não conhecia homem, consegue perceber nas palavras do mensageiro a certeza de Deus e Sua verdade. Assim, abre seu coração e seu corpo ao extraordinário, àquilo que assombrará a humanidade por gerações: ser corpo virgem gerará uma vida – mistério insondável de Deus, revelação suprema de Seu poder em tornar possível o impossível aos olhos humanos.
Possamos com essa festa nos abrir ao extraordinário, aceitar com gratidão o projeto de Deus sabendo-nos partícipes da construção de um novo estado de coisas e, sobretudo, testemunhar que desde aquele dia comum, na pequena cidade de Nazaré da Galiléia, o próprio Deus está presente no meio da humanidade.
Especificamente neste ano de 2008, a Igreja celebra a Festa da Anunciação no dia 31 de março porque o dia 25 ocorreu na semana subseqüente à Páscoa, quando são celebradas as Oitavas Pascais, tempo litúrgico próprio, não cabendo comemorar durante ele qualquer outra festa.
Textos litúrgicos da Festa1ª leitura – Is 7, 10-14; 8-102ª Leitura – Hb 10, 4-10Evangelho – Lc 1, 26-38
Texto de Gilda Carvalho gilda@puc-rio.br

quarta-feira, 24 de março de 2010

Gostaria de partilhar com os visitantes do blog os meus coirmãos de vida religiosa. Esta são as pessoas que o Senhor escolheu para partilhar comigo a experiência da vida religiosa. São eles: na fila de cima da direita para a esquerda
- Fr. Odenilton, bahiano de Camacan, coração doce e grande, e verdadeiro AMIGO que Deus colocou na minha vida, além de ter uma voz maravilhosa (sou o fã nº 1).
- Fr. João Francisco, paranaense de Cambé, espírito jovial, cordial e muito prestativo, sem dizer que é muito, mas muito inteligente.
- Fr. Antonio José, maranhense de Timbiras (região dos Cocais), muito profundo em tudo o que vive e leal.
- Ir. Antonio Santana, bahiano de Ilhéus, paciente e prestativo, bondoso e acolhedor.
Na fila de baixo, da esquerda para a direita:
- Fr. Cleiton Henrique, paranaense de São José dos Pinhais, espírito forte e liderante, muito criativo e inteligiente.
- Fr. Vanderson Alves, paulista de Presidente Prudente, muitíssimo prestativo e preocupado com a comunidade, generoso e amigável.
- Fr. Regis Rios, maranhense de Codó, responsável e personalidade marcante, fortaleza vocacional e muito amigo.
- Fr. Bruno Cézar.... EU... natural do Maringá - PR, mas me considero paulistano, pois lá passei a maior parte da minha vida, quanto às qualidades e defeitos isso eu deixo para que meus amigos e conhecidos tirem as conclusões (rsrs).
Somos uma FAMILIA, totalmente ligados... unidos... vivendo em Comunhão.... por um único e perfeito vínculo, o AMOR de Cristo.
Atualmente moramos em Londrina e cursamos Teologia na PUCPR.

A vivência da CASTIDADE

Diante de acontecimentos de desvio de sexualidade na Igreja, temos a reflexão de São Vicente Pallotti, convocando todos os membros da União do Apostolado Católico em especial os Padres e Irmãos Palotinos a viverem a CASTIDADE.

"Seria uma coisa horrenda que, nas casas da União, houvesse um só que não pertencesse a Jesus Cristo e que sobretudo nele faltasse a perfeita mortificação da carne. Por isso, todos são OBRIGADOS a viver em PERFEITA CASTIDADE nas casas da União".

Peçamos ao Senhor a graça de sermos castos no corpo e no espírito.

São Vicente Pallotti, rogai por nós!!!

terça-feira, 23 de março de 2010

Padres e Pedófilos

Retirado do site...(http://www.ihu.unisinos.br)


"O jornalismo preguiçoso deveria separar a histeria anticatólica da verdade criminal", escreve João Pereira Coutinho em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 23-03-2010. Ele escreve: "Sejam sinceros: quando existem escândalos sexuais na Igreja Católica, eles não são apenas escândalos sexuais pontuais e localizados. Esses escândalos, que existem em todo o lado (e em todas as denominações religiosas), bebem diretamente no patrimônio literário e anticatólico do Ocidente".

Eis o artigo.

Estamos sempre a aprender: vocês sabem como se diz "bastardo" em língua germânica? "Pfaffenkind." Ou, em tradução literal, "o filho do padre". As curiosidades não acabam aqui: ainda na Alemanha protestante, a expressão coloquial para designar a frequência de bordéis era "agir como um bispo".

É claro que não precisamos viajar até a Alemanha para encontrar esse glorioso imaginário em que membros do clero (católico) se entregam à lascívia. De Chaucer a Boccaccio, passando pelos textos centrais do Iluminismo continental (a "Religiosa", de Diderot; o "Émile", de Rousseau; as múltiplas mediocridades de Sade), o padre não é simplesmente o pastor espiritual em missão evangélica.

O padre é o "fornicador" incansável, sempre disposto a atacar donzelas virgens ou mulheres casadas. Sem falar do resto: o lesbianismo das freiras, a sodomia entre monges e a tortura física por que passa o seminarista casto, que se fustiga com prazer masoquista para compensar uma dolorosa ausência de fêmea (ou de macho).

Sejam sinceros: quando existem escândalos sexuais na Igreja Católica, eles não são apenas escândalos sexuais pontuais e localizados. Esses escândalos, que existem em todo o lado (e em todas as denominações religiosas), bebem diretamente no patrimônio literário e anticatólico do Ocidente.

O caso é agravado pela arcana questão do celibato. No mundo moderno e hipersexualizado em que vivemos, o celibato não é visto como uma opção pessoal (e espiritual) legítima e respeitável. O celibato só pode ser tara; só pode ser um convite ao desvio; só pode ser pedofilia. Esses saltos lógicos são tão comuns que já nem horrorizam ninguém.

Ou horrorizam? Philip Jenkins é uma exceção e o seu "Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporary Crisis" (Oxford, 214 págs.) é o mais exaustivo estudo sobre os escândalos sexuais que sacudiram a Igreja Católica nos Estados Unidos durante a década de 1990.

Jenkins não nega o óbvio: que existiram vários abusos; e, mais, que as autoridades eclesiásticas falharam na detecção ou denúncia dos mesmos.

Porém, Jenkins é rigoroso ao mostrar como os crimes foram amplificados de forma desproporcionada com o objetivo de cobrir toda a instituição com cores da infâmia.

Padres católicos cometem crimes sexuais? Fato. Mas esses crimes, explica Jenkins, existem em proporção idêntica nas outras denominações religiosas (e não celibatárias). A única diferença é que, sendo o número de padres católicos incomparavelmente superior ao número de pastores de outras igrejas; e estando os crimes de pedofilia disseminados pela população adulta, será inevitável que exista um maior número de casos entre o clérigo católico.

Como explicar, então, que as atenções mediáticas sejam constantemente voltadas para os suspeitos do costume?

Jenkins não é alheio à dimensão "literária" do anticatolicismo ocidental; muito menos à hipersexualização moderna, que vê na doutrina sexual da igreja um anacronismo e, em certos casos, uma ameaça.

Mas o autor vai mais longe e revela como a amplificação dos crimes é, muitas vezes, promovida por facções dissidentes dentro da própria Igreja Católica que esperam assim conseguir certas vitórias "culturais" (o fim do celibato, a ordenação de mulheres para o sacerdócio etc.) pela disseminação de uma imagem de corrupção endêmica. "A maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma", escreve Jenkins, citando as incontáveis reportagens que repetiam essa bovinidade.

Isso significa que os crimes das últimas semanas na Europa podem ser desculpados ou justificados? Pelo contrário: esses crimes não têm desculpa nem justificação. E é de saudar que o papa Bento XVI, em atitude inédita, tenha escrito uma carta plena de coragem e dignidade ao clérigo irlandês, condenando os abusadores, pedindo perdão às vítimas e esperando que a justiça faça o seu caminho.

Mas não é apenas a justiça que tem de fazer o seu caminho. O jornalismo preguiçoso também deveria trilhar o seu, separando a histeria anticatólica da verdade criminal.

Um contributo: para ficarmos no país de Ratzinger, existiram na Alemanha, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos a menores. Dessas 210 mil, 300 lidaram com padres católicos. Ou seja, menos de 0,2%. Será isso a maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma?